“A REVISTA DIRIGIR&FORMAR FOI ENTREVISTAR LUÍS AGUIAR, SÓCIO-GERENTE DA SIGNINUM, PARA PERCEBER AS RAZÕES DA DISTINÇÃO E QUAL A MAIS-VALIA DESTA INOVAÇÃO E DO SELO NA ARTE DA CONSERVAÇÃO E RESTAURO”

Escrito por D&F N.º19 | ABRIL-JUNHO DE 2018

D&F: Em 2017 receberam o Selo de Excelência do Programa-Quadro Comunitário de Investigação e Inovação-Horizonte 2020 devido ao projeto XpeCAM, uma câmara de análise multiespectral portátil que permite monitorizar, in loco, o estado de conservação das obras de arte. Pode explicar melhor em que consiste este projeto?

Luis Aguiar: Trata-se de uma câmara que nos permite ver aquilo que os nossos olhos não conseguem na área da conservação e restauro. Por exemplo, numa pintura permite descobrir o desenho subjacente o que, normalmente, só é possível com equipamento muito mais caro, com técnicas muito mais exigentes e que demoram muito mais tempo a processar a informação. Nós conseguimos fazer isto em tempo real.

D&F: Que balanço faz destes 17 anos de trabalho?

Luis Aguiar: Tem sido sempre um percurso de crescimento. Sempre quisemos ser uma empresa diferente, não por teimosia mas por termos um olhar muito diferente relativamente àquilo que é o património cultural e pelo facto de muitos clientes nos levarem a criar novas unidades de negócio dentro da estrutura da empresa. Em 2007 criámos a área da reabilitação. Em 2009 tínhamos o atelier de conservação e restauro, que foi transformado num laboratório de conservação e restauro e, hoje, a Signinum já faz grande parte do diagnóstico de identificação de materiais no próprio laboratório, o que significa que, ao contrário do que acontecia, não tem de recorrer aos laboratórios das universidades para poder identificar materiais. Saía muito mais caro e demorava muito mais tempo. Depois, criámos um departamento de audiovisuais e, mais recentemente, um núcleo de desenvolvimento de estruturas especiais de madeira, onde o desafio é dar inteligência à madeira. A ideia é, por exemplo, fazer um plug-in de um computador a um altar e podermos extrair daí toda a informação sobre o estado da madeira. É isto que nos move, o facto de podermos contribuir de um modo diferente para a valorização do património dos nossos clientes com soluções inteligentes e sustentáveis, mas claro que isto carece de muita inovação e investimento na área do desenvolvimento de tecnologias e de soluções.

D&F: De que forma a Signinum tem contribuído para a preservação da nossa História?

Luis Aguiar: Eu diria que isso faz parte do nosso ADN. Nós, todos os dias, temos essa responsabilidade, sempre que restauramos um bem estamos a preservar um bocadinho daquilo que é a nossa memória enquanto país. Por isso é que desde sempre quisemos, além de fazermos o nosso trabalho, ajudar as pessoas a conhecerem melhor o património que têm e dá-lo a conhecer a quem nos visita. Aliás, aqui em Lisboa estamos neste momento com um projeto inovador. Fizemos um protocolo com uma paróquia com a qual vamos explorar as visitas à Torre Sineira da Igreja do Castelo, que fica situada ao lado do Castelo de São Jorge. Trata-se de um espaço com uma vista fantástica sobre o rio Tejo e que estava encerrado. Vamos devolver esse espaço ao público. Através da cobrança de bilhetes damos sustentabilidade ao projeto, criando seis postos de trabalho e devolvendo à comunidade um espaço que estava encerrado e esquecido. Isto são projetos diferenciadores.

D&F: «Tornar o património mais conhecido é acrescentar-lhe valor.» É este um dos lemas da Signinum...

Luis Aguiar: Sim, quanto mais conhecido for o património, mais as pessoas se irão identificar com este e mais o vão valorizar. Neste momento temos 12 projetos de reabilitação, conservação e restauro em simultâneo, em várias locais do país, e cada vez que aceitamos um novo projeto é uma grande responsabilidade porque não estamos apenas a restaurar mas também a adicionar valor a esse mesmo património, não só por via do restauro mas pelo modo como comunicamos os projetos. Por exemplo, estamos a fazer um trabalho no Porto num edifício que pertencia ao Instituto Ricardo Jorge que, através de um protocolo com a Paróquia da Sé, vai ser transformado num jardim infantil. Nós queríamos comunicar à comunidade o que é que ia ali ser feito. Contratámos uma ilustradora e, no local do estaleiro, colocámos lonas gigantescas com as suas ilustrações que iam buscar o imaginário infantil e através das quais estávamos a comunicar às pessoas o que ia acontecer naquele espaço. Designamos estes projetos de Arte em Obra.

D&F: A Signinum tem obtido vários prémios ao longo dos anos. Que importância têm estas distinções e de que modo influenciam o trabalho que desenvolvem?

Luis Aguiar: Eu diria que esses prémios têm importância sobretudo para os nossos colaboradores. Claro que para a empresa é importante, é um reconhecimento, mas é sobretudo um acréscimo de responsabilidade porque trazem mais notoriedade, visibilidade e a exigência torna-se ainda maior.